
Sinopose
“Sem o Caos, diz a cosmologia, não há a luz do dia; um presente que produz a corrente da criação que acende e transcende a evolução da energia”. (João Paulo)
No início tudo que havia era a imensidão. E o silêncio profundo da escuridão. Mas, como Zeus tudo ordena, o problema tem solução: faz-se o sol, faz-se a terra, faz-se a água e faz-se o vento; e da noite para o dia, na imensa tela vazia, surge o firmamento, e com ele a luz da criação.
O Enredo que a Vale Samba cria e apresenta nesse carnaval sustenta o aval de uma poesia, mais emotiva que racional, e a idéia central ativa a junção dos significados abstratos, concretos e objetivos, como retratos intuitivos e enraizados, do conceito energia. Da energia gasta na criação divina do mundo, obra-prima de uma explosão de milésimo de segundo, passando pela energia tecnológica da ciência e da cronológica teoria da evolução, até chegar à lógica da irreverência produzida pela energia da multidão da escola na Avenida.
Então, o horizonte desse enredo está no segredo da valorização da Vale Samba como fonte da qual emana a energia que irradia a alegria do carnaval, e os tons sentimentais dessa criação estão em substantivos abstratos e emocionais, com os quais ela trança calor, sensibilidade, sutileza, criatividade, beleza, amor e esperança.
No enredo, portanto, os tempos verbais são mais puros no conjugar, com passados, presentes e futuros se alternando para mostrar, de forma subjetiva, que a energia, positiva ou negativa, do dia-a-dia, está presente em qualquer tempo e em qualquer lugar.